4 dezembro 2025
- GC

- 5 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de dez. de 2025
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hoje fui atravessada pelas obras de Kazuo Ohno, no café Outlier, na 38 London Road, ao abrir o computador e me deparar com ele segurando uma flor imensa, depois segurando uma flor imaginária, travestido de simbolizações entre o humano, o estupefato, uma planta, carregando gestos que põem em contraste o delicado, o absurdo e a estética do inesperado. depois, não só, com meu café e uma curiosidade sem fim, entro em contato com Yvonne Rainer em sua dança The mind is a muscle, 1978, quando se propõe nos fazer observar que o corpo todo pensa e se expõe involuntário àquilo que escondemos, travando uma briga com a leveza, o sentir e a necessidade de externalizar.
registrar coisas que me interessam aqui é uma forma que encontrei de organizar parte dos sentimentos, organizar ideias, desejos, maneiras de me deparar com a vida e não querer perdê-la por completo, coordenar em palavras e imagens talvez aquilo que tanto quero que não me escape, que me grave definitivamente na memória - ainda que numa memória virtual como esta; são poesias da vida cotidiana que gostaria que fossem minhas, da mesma forma que gostaria de me inscrever nestas impressões que recebo através da arte, da literatura, das linguagens diversas que seres tão interessantes como Ohno e Yvonne encontraram de nos fazer deparar com sensações que escapam das possibilidades de registro.
Se você quiser interpretar uma flor, pode imitá-la — e ela será a flor de todo mundo, banal, sem interesse. Mas, ao contrário, se você colocar a beleza dessa flor e as emoções que ela evoca dentro do seu corpo morto, a flor que você criar será verdadeira e única, e o público ficará comovido. (Ohno)







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